Acho que toda a gente pode sonhar, e isto é sem dúvida um sonho. A cidade de Ponta Delgada carece de um sistema de transportes urbanos extensível, adequado às reais dimensões da cidade e sobretudo que permita melhor a mobilidade das pessoas na cidade. O actual sistema de mini-bus está ultrapassado para as necessidades da cidade, em horas de ponta os autocarros estão cheios, as paragens não fazem sentido, o facto de se eu estiver no Parque Atlântico e querer ir para o Hospital de mini-bus tenho que dar a volta ao circuito completo é inadmissível, e este é só um simples exemplo.

Poderíamos ficar aqui a discutir os problemas do actual plano municipal/regional de transportes mas não o vou fazer, passemos para a prática. Não penso num metro debaixo de terra, longe disso, os problemas climatéricos (pluviosidade, terramotos, etc) não o permitiriam portanto parece--me óbvio que a solução passaria por metro de superfície tipo este que vemos ao lado.
Começando o trajecto onde está prevista (ou esteve) a estação de autocarros (ao lado da fábrica Melo Abreu) o metro sairia em direcção à Avenida Infante D. Henrique seguindo por uma faixa reservada a este no meio da via (nos dois sentidos claro), quando chegasse à zona da Calheta cruza para a D. João III, outra opção seria um túnel que passasse por baixo das casas ( o que não me parece viável devido à proximidade com o mar), mais provável será a destruição de duas ou 3 casas entre a EDA e o antigo MCosta de modo a permitir a passagem do metro. Outra solução seria a utilização da zona do centro comercial abandonado(Pêro de Teive), aproveitando obviamente o espaço envolvente com zonas verdes. Subindo a D. João III ou faz-se contornando a rotunda ou por um túnel, será para os engenheiros decidirem,. Segue passando pela universidade, Parque Atlântico, Rua do Paim, Rua Antero de Quental (mais uma vez rotunda) e a desce a Avenida Príncipe do Mónaco em direcção ao monumento da Autonomia. Desce novamente em direcção à rotunda de baixo de Santa Clara, virando à esquerda até chegar ao forte de S. Brás regressando à Avenida. Poderia-se equacionar alargar a linha até ao hospital, bairros novos, zona norte do paim, ramalho, aeroporto(essencial este) etc.
É necessário também realçar que este modelo necessitará sempre dos minibus para completar e ramificar o serviço e também da central de autocarros. Aparentemente a ideia até pode ser assustadora mas temos de pensar que a cidade vai crescer e esta a meu ver será uma das soluções, a não ser que prefiram encher a cidade de autocarros, o que não me parece o melhor.
Esta solução também contribuiria para o comercio local, reduziria os níveis de poluição, ajudava a região a importar menos combustíveis, já para não falar no impacto turístico, etc etc. Algumas das ruas terão de sofrer uma intervenção grande, o encurtamento dos passeios da avenida marginal (provável prolongamento do cais da sardinha até ao forte de S.Brás junto ao mar para compensar), as zonas da rotunda do Hotel VIP, e da calheta serão sem duvida dos desafios mais interessantes a nível de engenharia, estando aberta a alternativas. O funcionamento do serviço seria das 7:00 às 21h, prolongando-se até à 1 às sextas e sábados. Os intervalos de tempo variam segundo as horas de maior procura obviamente.
Este projecto se for feito (pouco provável) será por fases, e não ficará completo porque a cidade não pára de crescer. Compreendo que o investimento será avultado, mas acredito em politicas de futuro sustentáveis e esta obra apesar de levar algum tempo a pagar é algo que vai beneficiar a cidade, os Açores e de um modo geral todos os Açorianos. Continuo a sonhar...